sexta-feira, 1 de maio de 2009

cinza e fechado

deste contraste, tempo azulado
sobre saudade, quase amargo
nada definido, sempre "mais ou menos"
um céu perdido, a visão em meros

intimamente ligado ao viés da mortandade
no risco para esperança é a vaidade
não fulgente como é a face de uma criança
feliz; gélida será por sua casualidade

próximo já, mas não extremo
e perceberá, mais em comum que penso
primeira pessoa, tome para si
que outrora fora, mas não mais aqui

nos dias que não saberá como prever
vive o que verá e passas pelo que lê
cinzas e brisas que não teremos mais lá
nosso lar; nossa estação; não há porquê

segunda-feira, 6 de abril de 2009

brisa que canto

essa melódica chuva
que cai abençoando meu lar
com harmonia toda sua
boa pra ver, boa para namorar

os estrondos dos acordes
raios que partem do solo
lavando com seus dotes
outono, somente o ensaio

tremores em tambores
captados pelos pés
a brasa que toca a pele
sempre gélida, como és

espatifa o concreto e miúdos
a onomatopeia canta
de tão lindo absurdo
rupia pelos, gela barriga, espanta

quarta-feira, 11 de março de 2009

Sobras de palavras

o que escrevi, foram apenas palavras
pedidos faço aos que estão do meu lado
se é melhor ou pior, isso será visto no final
o que vivo não fica naquele nem naquilo, eu guardo comigo

leio tudo e li, enquanto desço as escadas
com mão ao ombro para ser sempre guiado
de resto é somente dó, fluindo perverso do tal
o que tenho não fica aqui nem lá, eu levo para o meu lar

terça-feira, 3 de março de 2009

Sem plumas

um par, em ambos os lados
de plástico, o paraquedas
falar, um limite para saltos
é sarcástico, criando idéias

vejo o fato por fotos, sorrisos estampados
em grupos ou solos, apenas fabricados
diversão para os ditos alucinados
o perigo com todos os seus cuidados

ironia imaginar queda sem volta
nunca será como o pássaro e suas asas
bicando ao chão, de olho as costas
volta ao voo com a vítima nas garras

feroz, nascido para matar, para morrer
dando as voltas tenta-se imitar a imperfeição
a sós, la do alto planando, querendo viver
o constragimento é nosso, não da condição

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

escorre pelo meu peito

não sei como lhe referir gratidão
não conheço forma para falar
talvez não saber como explicar
é o castigo que merece o coração

desce suave por todo peito
com um peso de se espantar
o desejo de poder conquistar
descanso no calor de seus seios

embebido em nostalgia
com raizes de carinho
fui provar dessa malícia
mas esse sabor me vicia

deixe... então
como... está
pois... senão
alguém vai se machucar

não sei como lhe agradecer
fui ler de poetas que falaram
a palavra difícil de se entender
não como seus atos que me conquistaram

aflito fico quieto por aqui
invento desculpas para não lhe chamar
enquanto o amargo corta a garganta
sua doce voz não quero escutar

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

o beijo

boca
saliva
o meu desejo
o seu sabor
peço-te que parta e deseje voltar
ao conforto do encontro com o teor do quem
fique por lá
venha em minha direção
boca
saliva

sábado, 7 de fevereiro de 2009

e a saudade?

aquela que bate ao peito
diretamente no interno
ou mesmo que sem jeito
atento ao poder alheio

sempre cúmplice da distância
mas não porque quero
o ato de mais pura relevância
derivado de minha ignorância

toda assistida pela esperança
em pose de foto num terno
finjo estar então na elegância
"sinhôzin", mantenha-me na tolerância

pois pulsa sim o que não esbravejo
sinto que na veia passa reto
acumulando sujeira em meus anseios
sou escravo da saudade, e sem medo