terça-feira, 14 de julho de 2009

a fada

sua face descoberta
ainda por ser descoberta
num mantro misterioso
esconder de quem peça

não há mistério num rosto não revelado
que um olhar não possa superar
já que não tenha ainda se aproximado
para aos ouvidos me soprar

te afirmo perguntas
querendo convicção
se não tem as muitas
conte-me o pouco então

alumiante a sua face
cravada em papel
faço o que é de praxe
mostro primeiro o céu

do que possa me interessar
uma boca, um olhar
dos que posso ter
teu corpo? o tempo dirá mais o quê

quarta-feira, 8 de julho de 2009

cobertor gelado

mórbido, porém não sórdido
não viável para as vias nasais
o cheiro de vingança, puro ódio
não mais abençoado que meros seres irracionais

frio, alfineta fina pele
acomodando presença de quem me tocas
que me julga quando de costas
o que sobra, quem tocou não esquece

quarta-feira, 24 de junho de 2009

o seu teste

não questione meu cíume
pois adoro brincar com vosso sentimento
o calor no rosto vai ao cume
penso para realizar no tal momento

esconder é muito fácil e um tanto difícil
nem sempre tremula o corpo sensível
as palavras podem não cozinhar
mesmo com o pensmento fervendo
olho no olho está sempre atento
seria descoberto mesmo não querendo

quarta-feira, 17 de junho de 2009

os trâmites pesados

somente verdades que meus olhos me contam
aos caminhos de fatos que não lhe correspondem
na arena das opniões a guerra de filosofias
quais são as verdades que sobreporão minhas mentiras

quinta-feira, 28 de maio de 2009

foi, será

tempo, de tempos em tempos
resultados absolutos resultantes de fatos
puros assim, feito de momentos
de todos tudo, certos e errados

o passado é a forma que molda o presente
o que somos, o que seremos
rejeitar o passado é violentar o presente
a essência do ser, tudo que vivemos

fugir do passado cria medo do futuro
isolar-se, permanecer calado
o medo do passado consome sua identidade no futuro
agora é estar, amanhã será estado

seremos no futuro o que somos num presente construído no passado
crianças, homens, velhos; acumulo de relatos

segunda-feira, 11 de maio de 2009

para ti provocar

"a é" o quê
se conformas então
que quantidade é superior
pois não concordo
se não te contentas com "um único" beijo
que padeças na lembrança eterna da mágoa
mas não irei criticar o seu jeito
tudo passa e vai-se feito a límpida água
à aquele que nem se para pensante
e prefere nunca ao menor instante

e depois do silêncio contínuo
me reclamas por estar nesse joguinho
mas não, sou convicto de minha sinceridade
diz tudo bem, mais nada a declarar, sobriedade

terça-feira, 5 de maio de 2009

cínclise dos fatos

a essência da vida é o caos
a vida passa enquanto sopra
anda a caminhos diferentes e tromba
se alimenta e conta, dias para estar morta

o fluxo da vida pede morte
drogada pelo efeito de suas façanhas
no corpo podre morrem os atos
em escritos e fatos, vivem as lembranças

a partida traz o novo espaço
necessário para cultivar a carne
na medíocridade da evolução
o reles tem sua vazão, toda conformidade

é de caos que se vive e mantém
num fluxo prestes a ser quebrado se tem
solo infértil para a nova semente
o nunca para o antes, o sempre para à frente