terça-feira, 11 de outubro de 2011

Você me chamou

Você não me quer dar sua nudez
Pode me dar seus medos?
Lhe faz surpresa, atenta, acalenta
Só quando quero, pensa, a resposta fluídez

De espanto não se move, tergiversa a vontade
Nego que me fale, que sou conhecedor de teu medo
Sei de curiosidades, bate, o que tem em teu peito

Como criança ao pé do ouvido, faço entender
Difícil é ser narrativo, a nudez e o medo
Entendo sua hesitação, a confiança é permanecer
Me deixa ainda sem jeito, não faço por merecer

terça-feira, 5 de julho de 2011

Daquela cor, jambo

É cor de jambo que quero
bendita cor do nordeste
que atiça cabra-da-peste
me mantenho forte
mas é difícil passar no teste

atacante, me pergunta logo
desconverso porque posso
durante meu ócio, pensando
não me intimidando, é lógico
a mala pegando, de tempo eu gosto

sexta-feira, 11 de março de 2011

eu já sabia

supus que fosse, sempre quis o que você nunca quer
o coração que me der, baterá silencioso em meu peito
nunca feliz e satisfeito, mesmo quando o desejo vier

minhas palavras que lhe ofendem direto no pudor
meu julgo é falso e não lhe causará menos dor
agir segundo sua vontade, não me fará calar
nenhuma boca para moderar, nem um pingo de rancor

sábado, 4 de setembro de 2010

o lobo tem medo do fogo

as palavras que ecoam na sua mente são berlindas
deixe-as altivas e terá sua derrocada
os ditos do manipulador postam-se como fascínoras
a coragem é sua estupidez, o medo sua arma

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Para chamar sua atenção

vão e vem
nós ficamos por aqui
por mal ou por bem
ficam sem e tudo há de se estinguir

ao reinado da dor
a gosto da solidão

a distância de seu amor
é a clausura de minha devassidão

num imenso espaço de tempo
em quem pensar até tento
sinto as pernas cruzadas do ignorado
consumo o fato e escolho o alento

quarta-feira, 7 de julho de 2010

palavras esquecidas

palavras esquecidas
perdidas pelo tempo
lembranças vagas e adormecidas
sem sentido e arrependimento

caminhos esquecidos
escondidos pelo tempo
por florestas e floridos
o manipulado e o gênio

o tempo vira remorso
sempre que esse passar
das infâncias que recordo
querendo sempre voltar

aquilo que não está perdido
em vez será desviado
aquilo que julga o que foi dito
há muito está descontrolado

domingo, 4 de julho de 2010

Folhas ao vento

das folhas as que mais me espantam
não são as que caem
sim as que no galho ficam pesando
deixando olhares como insentos perdidos

e mesmo com os galhos que balançam
elas não reagem
permanecendo ali firmes incomodando
forrando a cabeça de corriqueiros andarilhos

o vento bate na forte árvore
olho a espera de reação
limpar seu pé, abrir o caminho
os frutos da ação, vejo sorrindo