quarta-feira, 24 de junho de 2009

o seu teste

não questione meu cíume
pois adoro brincar com vosso sentimento
o calor no rosto vai ao cume
penso para realizar no tal momento

esconder é muito fácil e um tanto difícil
nem sempre tremula o corpo sensível
as palavras podem não cozinhar
mesmo com o pensmento fervendo
olho no olho está sempre atento
seria descoberto mesmo não querendo

quarta-feira, 17 de junho de 2009

os trâmites pesados

somente verdades que meus olhos me contam
aos caminhos de fatos que não lhe correspondem
na arena das opniões a guerra de filosofias
quais são as verdades que sobreporão minhas mentiras

quinta-feira, 28 de maio de 2009

foi, será

tempo, de tempos em tempos
resultados absolutos resultantes de fatos
puros assim, feito de momentos
de todos tudo, certos e errados

o passado é a forma que molda o presente
o que somos, o que seremos
rejeitar o passado é violentar o presente
a essência do ser, tudo que vivemos

fugir do passado cria medo do futuro
isolar-se, permanecer calado
o medo do passado consome sua identidade no futuro
agora é estar, amanhã será estado

seremos no futuro o que somos num presente construído no passado
crianças, homens, velhos; acumulo de relatos

segunda-feira, 11 de maio de 2009

para ti provocar

"a é" o quê
se conformas então
que quantidade é superior
pois não concordo
se não te contentas com "um único" beijo
que padeças na lembrança eterna da mágoa
mas não irei criticar o seu jeito
tudo passa e vai-se feito a límpida água
à aquele que nem se para pensante
e prefere nunca ao menor instante

e depois do silêncio contínuo
me reclamas por estar nesse joguinho
mas não, sou convicto de minha sinceridade
diz tudo bem, mais nada a declarar, sobriedade

terça-feira, 5 de maio de 2009

cínclise dos fatos

a essência da vida é o caos
a vida passa enquanto sopra
anda a caminhos diferentes e tromba
se alimenta e conta, dias para estar morta

o fluxo da vida pede morte
drogada pelo efeito de suas façanhas
no corpo podre morrem os atos
em escritos e fatos, vivem as lembranças

a partida traz o novo espaço
necessário para cultivar a carne
na medíocridade da evolução
o reles tem sua vazão, toda conformidade

é de caos que se vive e mantém
num fluxo prestes a ser quebrado se tem
solo infértil para a nova semente
o nunca para o antes, o sempre para à frente

sexta-feira, 1 de maio de 2009

cinza e fechado

deste contraste, tempo azulado
sobre saudade, quase amargo
nada definido, sempre "mais ou menos"
um céu perdido, a visão em meros

intimamente ligado ao viés da mortandade
no risco para esperança é a vaidade
não fulgente como é a face de uma criança
feliz; gélida será por sua casualidade

próximo já, mas não extremo
e perceberá, mais em comum que penso
primeira pessoa, tome para si
que outrora fora, mas não mais aqui

nos dias que não saberá como prever
vive o que verá e passas pelo que lê
cinzas e brisas que não teremos mais lá
nosso lar; nossa estação; não há porquê

segunda-feira, 6 de abril de 2009

brisa que canto

essa melódica chuva
que cai abençoando meu lar
com harmonia toda sua
boa pra ver, boa para namorar

os estrondos dos acordes
raios que partem do solo
lavando com seus dotes
outono, somente o ensaio

tremores em tambores
captados pelos pés
a brasa que toca a pele
sempre gélida, como és

espatifa o concreto e miúdos
a onomatopeia canta
de tão lindo absurdo
rupia pelos, gela barriga, espanta