quarta-feira, 11 de março de 2009

Sobras de palavras

o que escrevi, foram apenas palavras
pedidos faço aos que estão do meu lado
se é melhor ou pior, isso será visto no final
o que vivo não fica naquele nem naquilo, eu guardo comigo

leio tudo e li, enquanto desço as escadas
com mão ao ombro para ser sempre guiado
de resto é somente dó, fluindo perverso do tal
o que tenho não fica aqui nem lá, eu levo para o meu lar

terça-feira, 3 de março de 2009

Sem plumas

um par, em ambos os lados
de plástico, o paraquedas
falar, um limite para saltos
é sarcástico, criando idéias

vejo o fato por fotos, sorrisos estampados
em grupos ou solos, apenas fabricados
diversão para os ditos alucinados
o perigo com todos os seus cuidados

ironia imaginar queda sem volta
nunca será como o pássaro e suas asas
bicando ao chão, de olho as costas
volta ao voo com a vítima nas garras

feroz, nascido para matar, para morrer
dando as voltas tenta-se imitar a imperfeição
a sós, la do alto planando, querendo viver
o constragimento é nosso, não da condição

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

escorre pelo meu peito

não sei como lhe referir gratidão
não conheço forma para falar
talvez não saber como explicar
é o castigo que merece o coração

desce suave por todo peito
com um peso de se espantar
o desejo de poder conquistar
descanso no calor de seus seios

embebido em nostalgia
com raizes de carinho
fui provar dessa malícia
mas esse sabor me vicia

deixe... então
como... está
pois... senão
alguém vai se machucar

não sei como lhe agradecer
fui ler de poetas que falaram
a palavra difícil de se entender
não como seus atos que me conquistaram

aflito fico quieto por aqui
invento desculpas para não lhe chamar
enquanto o amargo corta a garganta
sua doce voz não quero escutar

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

o beijo

boca
saliva
o meu desejo
o seu sabor
peço-te que parta e deseje voltar
ao conforto do encontro com o teor do quem
fique por lá
venha em minha direção
boca
saliva

sábado, 7 de fevereiro de 2009

e a saudade?

aquela que bate ao peito
diretamente no interno
ou mesmo que sem jeito
atento ao poder alheio

sempre cúmplice da distância
mas não porque quero
o ato de mais pura relevância
derivado de minha ignorância

toda assistida pela esperança
em pose de foto num terno
finjo estar então na elegância
"sinhôzin", mantenha-me na tolerância

pois pulsa sim o que não esbravejo
sinto que na veia passa reto
acumulando sujeira em meus anseios
sou escravo da saudade, e sem medo

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

pré-definido

que me foi dado o epíteto, refletor da verdade
descomunal supremacia caída em calamidade
afaste-se da sua fantasia num íntegro palpite
para nossa felicidade a sim quem abdique

de todas as partidas a menos brutal
a única em que sorrisos e mãos não disseram tchau
fator literal
não se encontrará mais em verso formal

veio a calhar
múrmurios de ressentimentos a guardar
subtraindo olhares oportunos e curiosos
tragos pelo mimo é lógico

fecham sim as nuvens minha visão
lembro de ter dito sobre tal situação
compartilhar tudo o que é bom
a textura, a cor, o cheiro, e o seu som

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

filho do sagrado povo santo

filho de orixá que use seu poder
reserve glória a oxalá se criador
reserve honra a exu seu protetor
se jogue na lama em honra a olorum

senhor dos senhores o único ser
piedoso e glorioso em total essência
muito mais além é sua regência
sem definições para um qualquer algum

representado pelo nada e tudo
para os que são parte dele serão
parte o merecedor de sua benção
mas nem sequer tente imaginar

de longe presente não há seu culto
somente reconheça e curve-se ao seu rei
supremo por sua benevolência como serei
até o calor de sua mão exu à de me guiar